quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Descidas da Serra-Master of puppets

Master of puppets


Nesta edição do descidas da serra irei falar sobre o antigo "Master of puppets" mais conhecido hoje em dia como os "trilhos da malveira". Antigamente na encosta sul da Peninha, um dos maiores picos da Serra de Sintra, existiam uma série de trilhos de Downhill/Freeride de diferentes dificuldades, que desciam até à Malveira da Serra. Os trilho tinham a particularidade de serem os trilhos mais fluídos de toda a Serra, atraíndo praticantes de todas as modalidades de BTT e de vários sítios de Portugal para experimentarem aqueles 5 minutos de adrenalina. Construídos pelo Clube Português de Freeride existiam 4 trilhos carinhosamente apelidados com nomes de músicas dos Metallica:

"Master of puppets"-Trilho de dificuldade verde (fácil), o mais longo dos 4, que descia às curvas até à Malveira.

"Ride the Lightning"- Trilho de dificuldade azul (médio), que possuía a linha mais directa e mais rápida.

"Kill 'em all"- Trilho de dificuldade vermelho (difícil), que possuía a linha mais técnica, com trialeiras bem ao estilo Downhill.

"Extreme"- Trilho de dificuldade preto (muito difícil), que possuia os obstáculos mais abusados, incluindo um wallride gigantesco, um step up abusivo e duplos extremos.

Segue em baixo uma imagem com a representação dos trilhos como eram antigamente:


Durante muitos anos o Clube Português de Freeride lutou pela legalização dos trilhos, e por um breve período de tempo realmente conseguiram tornar os trilhos legais e incluí-los na carta de desporto e natureza da serra. Contudo, pouco tempo depois devido a queixas dos habitantes, os trilhos voltaram a ser tornados ilegais e foram consequentemente destruídos com o corte das acácias da região.

Hoje em dia os trilhos estão a voltar a renascer, com a requalificação do trilho Master of puppets, sendo neste momento a única linha realizável, havendo contudo algumas secções do Ride the Lightining e Kill 'em all também possíveis de fazer.

O trilho neste momento possui 1.67km com 8 secções. A entrada para os trilhos situa-se no ponto mais alto da serra antes de chegar ao parque de merendas da Peninha no sentido Capuchos-Peninha. Contudo o melhor lugar para parar o carro é mesmo junto ao parque de merendas ou no estacionamento do Convento da Peninha.

A primeira secção é a mais técnica do percurso, mas também a mais característica por ser feita ao longo de várias curvas de desnível pouco acentuado. Sem grandes obstáculos o trilho serpenteia por entre a floresta bastante fechada, havendo zonas em que fica bastante escuro mesmo no pico do dia. Esta é provavelmente a secção mais lenta e mais longa de todo o trilho. 
A segunda secção já é mais rápida e fluída, quase não é preciso pedalar nesta secção, é só largar os travões e aproveitar os relevês das curvas para manter a velocidade e rapidamente alcançamos a terceira secção.
A terceira secção é a mais curta delas todas, começando com uma descida um pouco mais inclinada e técnica logo apanhamos o maior relevê de todo o percurso que nos lança em velocidade numa curva apertada para a quarta secção.
A quarta secção é bastante rápida e directa com vários pequenos saltos no caminho. Bastante fluída, basta soltar os travões e bombear a suspensão nas lombas para se manter a velocidade. No final existe um pequeno drop mas com escapatória e a oportunidade de fazer dois duplos de dimensões já um pouco maiores mas igualmente com escapatória.
A quinta secção é também bastante fluída com curvas bem posicionadas, rapidamente alcançamos as secções finais.
A sexta, sétima e oitava secções são feitas sem parar e são as secções mais rápidas de todo o trilho. Antigamente existiam três grandes saltos em sequência designados como os "voadores" pois realmente lançavam-nos a alta velocidade pela encosta abaixo.Hoje em dia estes já não existem mas mesmo assim a recta final permite-nos alcançar quase os 70km/h. O trilho termina por fim na estrada de empedrado.

Apesar de ser um trilho curto comparado com outros da serra como o "Dimas", "Kamikaze", "Torgas", continua a ser um senão mesmo o trilho mais fluído de toda a serra, que proporciona os melhores momentos de diversão numa bicicleta!

Em baixo segue o meu último vídeo no Master of Puppets, onde experimento a nova perspectiva da chestcam. No vídeo começo na segunda secção e a partir daí é sempre a abrir até ao empedrado. Apesar de ter ficado um bocado tremido ainda dá para ter uma perspectiva engraçada da descida.



Para outra perspectiva da descida, e desta vez mesmo do início podem ver o episódio 1 da Série Flow Trough the Shores onde filmo o trilho na perspectiva Headcam.


Curta portefólio-O meu estágio

Fruto de um trabalho realizado para um estágio profissional surgiu a produção desta curta reflexiva. Mais uma produção da Radical Flow, desta vez abordando tema diferente de até então, mas que merece o seu destacamento. O trabalho consistia em criar um portefólio sobre a minha experiência de estágio (Miguel Borges), portefólio no sentido de ser algo ou alguma interpretação artística que demonstra-se essa experiência. No meu caso escolhi fazer um vídeo e heis em baixo o resultado.


Curta de terror- A floresta

O Radical Flow apesar de ser mais orientado para a vertente da aventura  também produz filmes de outra natureza. É o caso desta curta de terror apelidada de "A floresta". Diferente dos outros filmes produzidos até então, esta possui uma narrativa própria com um enredo singular. Resumidamente a história aborda um homem que acordou no seu carro sem memória do que se passou, e após constatar que este não funciona abandona o veículo em busca de algo que o possa ajudar mas cedo coisas estranhas começam a acontecer.

Foram feitas duas versões do filme, uma extensa e uma versão director's cut. Ficam aqui as duas para a vossa comparação:

Versão extensa



Versão director's cut


Episódio 3 da série Radical Flow

Depois de muitas horas de filmagens e edição heis aqui o terceiro episódio da série Flow Trough the Shores! Esta terceira parte foi filmada unicamente na perspectiva da terceira pessoa, com uma camera melhor e com apoio de tripé, a proporcionar dessa forma uma qualidade até então não experimentada. Com novas músicas originais e uma edição diferente, esta promete ser uma nova experiência. As filmagens foram feitas ao longo do trilho Dimas na Serra de Sintra, trilho já abordado na última publicação. Sendo um dos trilhos mais longos da serra garante momentos de pura acção e adrenalina!


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Descidas da Serra- Dimas

Independente da série "Flow trough the shores" a Radical Flow irá produzir também uma série de vídeos destinados apenas a comentar e a analisar as várias descidas de Freeride/Downhill ou Cross Country da Serra de Sintra e arredores.

Além dos vídeos que poderão ser acompanhados no canal do youtube, estes também poderão ser vistos no blog juntos com uma descrição mais detalhada dos trilhos.

Esta primeira edição será sobre o trilho Dimas.

Dimas



Provavelmente a descida mais longa de Freeride da Serra de Sintra, actualmente com 2.1km tem em vista ser estendido para 2.66km descendo desde o pico do Monge até à barragem do Rio da Mula.
O seu nome é uma homenagem ao seu construtor e idealizador Diamantino que faleceu e o deixou como legado.

É um trilho de dificuldade nível Verde na sua maioria, podendo as secções iniciais serem consideradas nível Azul devido ao desnível acentuado e zonas mais técnicas.
A respeito da classificação do nível de dificuldade esta é semelhante à classificação internacional das pistas de ski/snowboard por cores segundo a sua dificuldade técnica que vão do:

Verde-Fácil, declives pouco acentuados, saltos e drops de pequenas dimensões e com escapatória, saltos de mesa (tabletop), piso pouco irregular sem secções técnicas ou de trialeira.

Azul-Médio (em algumas classificações pode vir referido como difícil), declives já com uma acentuação moderada, saltos e drops (<2m de altura) de maiores dimensões (saltos de mesa e duplos) mas com escapatória, piso irregular com algumas secções técnicas ou de trialeira.

Vermelho-Dificil (em algumas classificações pode vir referido como Muito dificil), declives bastante acentuados, saltos e drops (até 5m) de grandes dimensões (saltos duplos, step ups e step down's, com gaps) sem escapatória, piso bastante irregular com secções técnicas ou de trialeira, shores técnicos, skinnies.

Preto- Muito Difícil (em algumas classificações pode vir referido como Extremo), declives bastante acentuados, saltos e drops (5m para cima) de grandes dimensões (saltos duplos, step ups e step down's com gaps) sem escapatória, piso bastante irregular com secções de trialeira muito técnicas, shores técnicos e extremos, skinnies, qualquer obstáculo extremo. 

O trilho subdivide-se em 3 secções oficiais (com mais duas não oficiais por vir), que cruzam estradões de terra batida e estrada de alcatrão.



Dimas I



A primeira secção tem início a meio da subida de estradão que vem dos Capuchos para o Monge. Antes de chegar ao monumento dos bombeiros existe um outro estradão à esquerda, ao virar nesse estradão uns metros mais à frente logo quando este começa a descer existe um pequeno singletrack à esquerda a sair da estrada, essea é a entrada para o trilho. Esta primeira secção denominada por Dimas I tem à volta de 360m de extensão e é considerada de nível Azul devido a alguns declives mais acentuados logo no inicio e mais perto do fim da secção.



 Acompanha o trajecto de uma linha de água passando ao lado de duas minas de água. Possui dois saltos a chegar ao fim da secção, um sobre um tronco caído com cerca de 0.5m de altura e outro logo mais à frente mais ou menos com as mesmas dimensões. Ambos os saltos possuem escapatória.




 Contudo e devido às quedas frequentes de árvores esta recta final costuma ficar bloqueada e como tal existe uma passagem alternativa para a estrada em baixo logo junto ao primeiro salto. A secção por fim termina na estrada de alcatrão que vai da Malveira ou Peninha aos Capuchos.




Dimas II



A segunda secção tem início logo em frente ao final da primeira, numa descida paralela à estrada de alcatrão. Possui 250m de extensão e é considerada de nível Azul devido a alguns declives mais acentuados e alguns obstáculos técnicos. A descida de entrada é bastante acentuada e de algum cariz técnico terminando num pequeno drop de pedra natural.



De seguida o trilho serpenteia entre as árvores com alguns "switchback" mais apertados (curvas de 180º) e a meio da secção existe um shore que atravessa uma grande pedra cerca de 1m de altura ao solo. O shore consiste numa rampa a subir para a pedra e numa rampa a descer, não é necessário qualquer tipo de salto para o transpor e existe escapatória. De salientar que a entrada para a rampa está ligeiramente desviada em relação ao trilho sendo necessário prever a trajectória com alguma antecedência. O trilho por fim termina num estradão de terra batida que desce dos Capuchos à Barragem da Mula.




Dimas III

A terceira secção é a mais extensa de todo o trilho, com uma extensão completa de 1.3km. Mais conhecido como "trilho das pontes" é muito frequentado por praticantes de BTT de diversas modalidades, caminhantes pedestres e corredores. Foi apelidado por esse nome devido às inúmeras pontes de madeira que surgem a cruzar a ribeira da mula. O trilho serve inclusive de extensão final comum a vários outros trilhos como o "Kamikaze" e o "Kamikaze extreme", possuindo vários pontos de entrada. Seguindo o trilho Dimas existem duas entradas possíveis, uma logo de seguida à secção Dimas II e outra mais embaixo seguindo o estradão que desce à barragem da mula pela vertente Este da Serra. 

Entrada de cima:




Entrada de baixo:



Seguindo a entrada de cima esta secção de união é de dificuldade azul devido a algumas zonas de declive mais acentuado. Mas uma vez chegando à secção principal esta já é de dificuldade verde com um declive pouco acentuado. Contudo ainda possui alguma dificuldade técnica devido às inúmeras curvas apertadas por entre as árvores e raizes, sem contar com as passagens pelos shores rasteiros que ainda assim requerem alguma perícia mínima.






Ao longo do trilho existem ainda alguns saltos pequenos mas sempre com escapatória e de dificuldade baixa.



É de salientar também algumas passagens mais estreitas sobre a ribeira, algumas das quais possuem shores de apoio.


O trilho por fim termina na barragem da mula num estradão por detrás. Além da vista fantástica a barragem possui também umas escadinhas a descerem para o parque de estacionamento, apesar de não serem as mais indicadas para qualquer bicicleta é um desafio divertido descê-las.





Podem ver em baixo o vídeo da descida completa do trilho, com os meus comentários nos diversos obstáculos e secções.



Nota: No video existe um lapso, a certo ponto nos comentários eu digo que os pontos de acesso para o trilho são o Cruzamento dos capuchos ou a Malveira, não é a Malveira mas sim a Peninha.

Estejam atentos aos próximos artigos e vídeos, a próxima edição do Flow Trough the Shores abordará também a descida do Dimas mas noutra perspectiva e com músicas novas.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Episódio 2 da série Radical Flow!

O segundo episódio da série Radical Flow continua o tema do Flow Trough the Shores continuando a falar sobre a prática do BTT na Serra de Sintra, mas desta vez foca-se especialmente na vertente do "Freeride"!

Esta é uma prática do BTT que como o nome indica tem o carácter de não possuir regras delineadas e ser uma forma dos praticantes explorarem as suas capacidades e interagi-las com os obstáculos que os trilhos oferecem. Pode se dizer que centra-se no conceito mais básico do BTT de simplesmente se divertir e buscar o Flow! Essa busca de desafios varia conforme as capacidades técnicas do ciclista, sendo desse modo a vertente que leva o BTT aos extremos e às manobras mais radicais que se podem realizar numa bicicleta.

Este episódio busca mostrar um pouco esse meu lado na pratica do BTT, onde eu procuro ir testando os meus limites para alcançar o Flow e a experiência de viver o momento pleno. Desta vez o vídeo apresenta também perspectivas na terceira pessoa que permite uma visão mais plena dos meus movimentos e do ambiente em redor. Novamente com músicas originais e montagens únicas este promete ser uma experiência mais intensa que a primeira! Desfrutem do segundo episódio e não se esqueçam de meter like e subscreverem o canal do youtube para  acompanharem os próximos episódios ;)




GeoCaching-Caça ao tesouro com GPS parte 2

Existem vários tipos de Caches, variando desde a sua natureza (tradicional, mistério, multicache), tamanho, forma, dificuldade de terreno e dificuldade de esconderijo. E apesar dos GPS modernos serem bastante precisos estes possuem sempre uma margem de erro de 3 a 1 metro, razão pela qual uma vez estando no local marcado não significa que a cache encontra-se directamente à vista, na maior parte das vezes está escondida algures nas redondezas. A razão para tal serve não só para tornar a sua procura mais apelativa e desafiadora mas também para a proteger dos "muggles", apelido dado aos não praticantes de GeoCahing e que como tal não tem conhecimento do jogo e poderão vandalizar, roubar ou retirar a cache do sítio.

Cabe sempre também ao dono da Cache (pessoa que a escondeu e registou a sua localização) assegurar a manutenção da mesma e de tempos em tempos averiguar o seu estado e reportar qualquer problema no site oficial do Geocaching. Contudo estando a cache escondida encontra-se sempre mais protegida.

Para quem se inicia no GeoCaching por vezes poderá ser bastante difícil encontrar a cache no local, contudo consoante também o nível de dificuldade do esconderijo, existem sempre pistas ao redor que revelam a sua localização.

Pistas de esconderijos de Caches:


Mais difícil do que encontrar algo escondido é encontrar algo escondido sem saber o que se está à procura. Um contentor de cache pode vir de várias formas e feitios, algumas poderão ser bastante simples e óbvias (caixa, tupperware) outras bastante criativas e camufladas no ambiente (tronco vazio, estojo, lata, ténis). Por vezes inclusive algumas caches poderão inclusive ser confundidas por lixo para um "muggle" ou novo Geocacher, contudo para um Geocacher experiente este irá reparar logo nos pormenores que indicam que esse objecto é uma Cache.

O esconderijo em si é a primeira grande pista. Um aglomerado de pedras, de vegetação morta, de troncos, que se destaca claramente no local demonstra todas as indicações de existir uma cache por debaixo.




Um buraco por baixo de uma pedra ou de um tronco cuidadosamente tapado por pedras ou vegetação morta é um outro grande sinal que poderá estar uma cache por debaixo.


Estes contudo poderão ser bastante óbvios como mais subtis e difíceis de perceber, contudo qualquer buraco tapado é sempre suspeito.


Uma regra do GeoCaching é não poder enterrar uma cache, nesse sentido as caches encontram-se sempre acima do solo. Como tal para escondê-las muitas vezes os donos das caches procuram esconderijos naturais já existentes como buracos, reentrâncias, covas, que tenham dimensões para albergar o contentor. Uma dica que ajuda é pensar não como quem está à procura mas como quem quer esconder, ou seja, "se eu fosse esconder uma cache neste local onde a esconderia?". Analisando todos os esconderijos naturais ao redor e tendo em conta se estão cuidadosamente tapados ou não, rapidamente se descobrirá o esconderijo da Cache.

É de salientar que normalmente as caches encontram-se ao nível do chão, contudo poderão encontrar-se acima como em cima de um tronco ou pedra, mas nunca fora de alcance. Se tal for o caso a descrição da cache no site explicita claramente os obstáculos inerentes ao seu alcance e o que é necessário em níveis de equipamento para a alcançar.

Se mesmo assim alguns sítios o encontrar do esconderijo continuar a ser difícil ou não exista nenhum esconderijo claro, normalmente na descrição das caches estas possuem sempre uma dica ou pista para encontrar, como "tronco caído", "10 passos para sul", "toca". Algumas poderão ser uma grande ajuda  outras nem sempre ajudarão muito consoante a dificuldade da cache.


Contentores de Caches:


Conseguindo encontrar os esconderijos mais prováveis resta saber se aquela caixa de plástico que lá estava era um contentor de Cache ou apenas lixo. Em primeiro lugar um contentor de Cache tem de estar sempre assinalado como tal no seu loogbook, e possuem muitas vezes inclusive um papel no seu interior com a indicação que aquele objecto é uma GeoCache e que faz parte do jogo do Geocaching, como um apelo aos "muggles" para não a danificarem ou a removerem do sítio.

Dessa forma na dúvida uma forma de averiguar é abrir a caixa e ver o que tem dentro. Se possuir um logbook (pode vir em vários formatos desde pequeno bloco de notas, pequeno caderno, rolo de papel, etc) e o símbolo do GeocaChing, bingo encontraram a cache. Algumas microcaches (Caches de tamanho bastante pequenos) não tem espaço para albergar no seu interior um logbook tradicional e como tal este poderá ser apenas uma tira de fitas ou a própria folha de identificação de cache como demonstrada em cima.


O próprio contentor por si também poderá revelar se se trata de uma cache ou não. Por norma para proteger o conteúdo da cache das chuvas o contentor costuma estar em volto em um saco de plástico preto, ou dentro de um saco transparente de ziplock. Nesse sentido um pequeno saco preto a revelar-se por entre a vegetação ou pedras é um forte indicador que se trata de uma cache. Normalmente as caches destacam-se bastante bem do ambiente ao redor, um ovo de plástico (contentor dos ovos kinder por exemplo) escondido cuidadosamente por debaixo de uma pedra no meio de uma floresta não está ali por acaso, o que diferencia desta forma claramente do lixo que está espalhado em qualquer lugar sem nenhuma ordem ou razão. As caches normalmente também estão bem cuidadas, poderão estar sujas ou molhadas consoante as chuvas mas normalmente encontram-se em boas condições sem estarem danificadas. 

O contentor das caches por si também varia consoante a sua dificuldade, mas os objectos mais comuns costumam ser tupperwares, caixas de ovos kinder, caixas de rolo de fotos, latas, mas podem inclusive ser objectos únicos criados pelo dono com algum tema associado ou apenas por sentido artístico, ou inclusive para se camuflar com o ambiente (troncos vazios, caixas pintadas).






As caches são caracterizadas também consoante o seu tamanho desde Micro (menos de 100ml de volume), Pequena (entre 100ml a 1litro), Regular (1litro a 20litros), Grande (mais de 20litros) ou Outro (tamanho não defenido ou com caracteristicas unicas), este ultimo normalmente possui informações detalhadas sobre essa condição. Os tamanhos das caches são representadas através dos símbolos:



Qualquer objecto poderá ser uma cache desde que esteja identificado como tal e possuía um loogbook, contudo nas multicaches e caches mistério em que existem mais que um contentor associado a um ponto de GPS, alguns desses contentores poderão não possuir logbook e apenas as coordenadas ou pista para encontrar a Cache verdadeira, que por si já possui um logbook.


Dificuldades e obstáculos:


O GeoCaching é um jogo que permite fazer as vontades de todos, desde os caminhantes ocasionais aos mais aventureiros e como tal pode envolver vários obstáculos ou factores de risco. Algumas caches podem ser bastante acessíveis, outras bastante difíceis de chegar podendo ser necessário equipamento próprio como material de escalada, de mergulho, lanterna, etc. Associado a cada cache existe sempre a lista de atributos que explicitam as condições sobre o local, desde o que é permitido ou não permitido, equipamento necessário, perigos, facilidades entre qualquer informação que possa ser relevante.



Esta lista também pode ser vista mais especificamente através do link:
http://www.geocaching.com/about/icons.aspx

A lista encontra-se sempre na página da Cache e deve sempre ser consultada de forma a preparar a sua busca.

Preparar actividades de GeoCaching


Para praticar GeoCaching é necessário fazer uma preparação mínima que consiste nem que seja a recolher as coordenadas das caches a procurar. Com as aplicações de GeoCaching para smartphone é possível conectar-se à internet em qualquer e procurar as caches que se encontram nas imediações, podendo se realizar dessa forma um "GeoCaching instantâneo". Contudo tal só é aconselhado para caches simples com percursos ligeiros e fáceis condições, quando o desafio é maior melhor deve ser a preparação.

Raras serão as vezes em que um GeoCacher sai para encontrar apenas uma Cache específica, se existem várias caches ao redor e a caminho porque não procurá-las também. Fazer uma preparação prévia contudo permite ver à partida todas as caches que se encontram no local e permite então planear uma prática de GeoCaching mais completa.

Preparar uma actividade de GeoCaching consiste em primeiro lugar definir o local onde se quer realizar, o tempo disponível para tal e as caches que se pretende encontrar. Consultando o mapa mundial das Geocaches pode se ter uma noção das disposições das mesmas em relação umas às outras e desse modo poder planear um percurso que vá de encontro às várias caches que pretendemos encontrar. É necessário contudo ter em conta os trilhos e estradas que existem no terreno, algumas caches podem estar bastante próximas mas não possuírem nenhum caminho directo entre elas. 

Na descrição de cada Cache existe um pequeno mapa com as indicações de como chegar nas imediações da mesma, desde os acessos de automóvel (ou outro veículo) até aos trilhos que levam ao local. Analisando esses vários aspectos é possível ver que caches possuem acessos comuns e como tal são as mais indicadas de se procurar de uma só vez.

Tendo em conta depois o tempo que pretendemos despender (1hora, uma manhã, um dia) podemos planear o nosso percurso para ser mais ou menos abrangente com uma apropriada quantidade de Caches para encontrar. É necessário ter em conta o tempo que cada cache poderá exigir para a sua descoberta sendo que este pode variar consoante a sua dificuldade. Normalmente se for de fácil descoberta (menos de 1 hora), encontra-se assinalada como tal nos seus atributos, caso contrario poderá ser necessário mais tempo. Tal facto faz com que uma caminhada de 3km por exemplo possa demorar o dobro do tempo normal para ser realizada. Algo a ter em consideração no planeamento.


Percursos de Caches


A antever já este processo de preparação de actividades de GeoCaching, alguns proprietários de Caches podem decidir criar um percurso pré-estabelecido de encontro às suas várias caches. Nestas situações o percurso já está criado e o GeoCacher tem apenas de seguir cache a cache o seu caminho. Podem ser alternativas interessantes visto muitas vezes as várias caches estarem associadas a algum tema e o percurso estar já planeado para passar por zonas de interesse. Alguns percursos podem possuir igualmente caches mistério cujo segredo só é possível de descobrir uma vez tendo descoberto todas as caches do percurso primeiro. 

Apesar de num percurso cada cache ser individual e poder ser descoberta em separado, poderão existir percursos que se tratam no fundo de multicaches gigantes, cuja cache seguinte só poderá ser encontrada uma vez encontrada a anterior. 

Os percursos de Caches poderão variar bastante consoante dimensões mas em geral as caches não costumam ser de dificuldade muito elevada, principalmente se existem um elevado número das mesmas, de modo a controlar o tempo que poderá ser necessário para a realização do percurso. Em Sintra existe um percurso que percorre quase toda a serra. Chamado de Sintra Power Trail este percurso contem 50 caches espalhadas em 18km de extensão. Apenas os mais experientes conseguem encontrá-las todas num dia.

Com mais umas dicas para encontrarem GeoCaches certamente agora conseguirão encontrar muitas mais e poderão preparar-se melhor para as vossas actividades.
Quando tiverem já perto das 100 caches encontradas no vosso reportório então estarão prontos para o próximo nível, criar e esconder as vossas próprias caches!
Estejam atentos ao próximo artigo onde explicarei como criar as vossas caches, dicas para as esconder e muito mais. Falarei também sobre GeoCoins, travel bugs e outros trackables, se estes nomes parecem vos estranhos não se preocupem que no próximo artigo explicarei tudo.

Ate lá boas aventuras!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Série Radical Flow!

O conceito de Radical Flow baseia-se em mais que atividades de aventura mas também num estilo de vida. Viver cada momento buscando o estado de "Flow" em que estamos sintonizados apenas nas nossas ações e interrompemos a incessante cadeia de pensamentos que nos invadem a mente constantemente. O Radical Flow vê as atividades de aventura e de natureza como uma forma de alcançar esse estado naturalmente, desde simples passeios ao livre a atividades radicais o objetivo é sempre desafiarmos a nos próprios dentro dos nossos limites. Segundo Mihaly Csikszentmihalyi ( criador do conceito de "Flow" em psicologia) este afirma que quando a dificuldade da atividade que estamos a realizar está no limiar das nossas capacidades atingimos um estado em que deixamos de pensar e ficamos completamente imersos na atividade em si. Tal estado causa sensações de extrema felicidade e bem estar e pode tornar-se extremamente viciante. Este é o grande atrativo dos desportos radicais, muitas vezes falsamente atribuído à adrenalina, contudo para atingir este estado não é necessário embarcar em atividades de risco, apenas é necessário desafiarmos as nossas capacidades plenas.



Este projeto da série Radical Flow abordará esse conceito nas diversas atividades que se podem realizar, mostrando o estilo de vida em busca desse estado com perspectivas em primeira mão e muita ação. Com músicas originais e filmagens únicas cada episódio será mais visão da busca do estado de "Flow" e do autoconhecimento.



Este primeiro episódio denomina-se "Flow Trough the shores" e será um sub tema da série. Abordará a prática do BTT em Sintra assim como as suas diversas vertentes, dando dicas e perspetivas da mesma, mostrando igualmente os mirabolantes trilhos embrenhados nas florestas sempre com paisagens espetaculares. Podem esperar um episódio novo por mês.



Ate lá apreciem o primeiro episódio!




sábado, 1 de março de 2014

Página Facebook Radical Flow

Vejam e subscrevam a página Radical Flow no facebook onde podem ver todas as novidades e atividades a serem realizadas. Desde caminhadas, Geocaching, BTT e Surf o Radical Flow organiza eventos regularmente que são publicados através do facebook e abertos a todos que estiverem interessados. Podem ver inclusive as fotos e relatos do mundo do Radical Flow!

Metam gosto!! ;) e inscrevam-se nas atividades!!!!

https://www.facebook.com/pages/Radical-Flow/243278172411405



Novo Canal Radical Flow!!

Já surgiu o canal Radical Flow no Youtube com os vídeos das várias atividades que a Radical Flow produz!
 Heis alguns dos vídeos disponíveis e estejam atentos aos próximos a vir em breve!


Vejam também o canal Radical Flow da Pinkbike associado a vídeos de BTT- http://www.pinkbike.com/u/karakoram/channel/Radical-Flow/




Geocaching- Caça ao tesouro com GPS parte 1

O surgimento de GPS portáteis provou demonstrar um grande potencial para a prática de atividades de aventura. À medida que os avanços tecnológicos tornavam estes equipamentos mais precisos e fiáveis, acabaram por permitir funcionalidades até então inexistentes como encontrar pontos exatos num local. Para provar tal capacidade de um GPS e convencer os cépticos das potencialidades de tal equipamento, Dave Ulmer, um consultor informático entusiasta de GPS, decidiu fazer uma experiência escondendo uma caixa numa floresta perto da sua casa e marcando esse ponto no seu GPS com as coordenadas específicas do local. Divulgou essas coordenadas através da Internet e criou a ideia simples de um jogo então chamado "Great American GPS Stash Hunt". O jogo era simples, consistia em conseguir encontrar a sua caixa, utilizando apenas um GPS portátil para localizar as coordenadas, uma vez encontrada a caixa havia apenas uma regra, se tirasse qualquer coisa colocava outra de volta. Em poucas semanas várias pessoas afirmaram pela Internet que haviam encontrado a caixa, aumentando a popularidade do jogo, e heis então que surgiu o GeoCaching.

Para mais informações da história do surgimento do GeoCahing podem consultar o link abaixo: (escrito em Inglês)

http://www.geocaching.com/about/history.aspx

O que é o GeoCaching?


Como referido anteriormente, o Geocaching trata-se de um jogo em espaço real de caça ao tesouro através da utilização de um dispositivo GPS. Este jogo é jogado através de uma comunidade com acesso às várias "Caches" (nome designado às caixas escondidas) espalhadas pelo mundo inteiro.

Após o descarregar das coordenadas das Caches para o GPS, segue-se então a busca das mesmas, podendo estas estar escondidas nos mais diversos locais imagináveis. Cada Cache por sua vez possui no seu interior um logbook para registar a presença dos Geocachers que a encontraram, e podem conter diversos brindes, podendo ser estes últimos qualquer coisa que possa ser considerado de interesse. Caso seja retirado um brinde é necessário que este seja reposto por um outro brinde qualquer.

O jogo tem por objectivo a descoberta de novos locais e a partilha de experiências, razão pela qual as caches normalmente estão escondidas em locais de interesse específico.


Sendo este o conceito básico do jogo, existem contudo diferentes tipos de Caches a serem encontradas de forma a proporcionar diferentes níveis de dificuldade.

Tipos de Caches:

Cache tradicional-São as caches mais comuns e consistem basicamente num recipiente de tamanho e tipo variado (caixa, contentor, tupperware, etc) com um logbook no seu interior. Consoante o tamanho do recipiente poderá ter ou não brindes. São representadas no mapa de Geocaching através do símbolo:
Cache mistério- São caches que requerem o desvendar de um puzzle ou enigma para serem encontradas. Normalmente as coordenadas da sua localização podem estar encriptadas, ou ser necessário a solução de um puzzle no local para as conseguir encontrar. Em algumas Caches mistérios poderá ser necessário encontrar diversas pistas espalhadas por sua vez em outro tipo de caches. São representadas no mapa de Geocaching através do símbolo:


Multi-Cache-São caches cuja descoberta implica a descoberta de dois ou mais locais, existindo na localização final um recipiente com um logbook no interior. Podem existir diversas variações mas em geral é necessário encontrar a primeira localização onde se encontra uma pista para encontrar a segunda localização, que por sua vez terá uma pista para encontrar a terceira e por aí fora até encontrar a localização final da cache. São representadas no mapa de Geocaching através do símbolo:


EarthCache-São locais de carácter geológico especial, ou seja que tenham alguma particularidade geológica interessante pela qual se possa descobrir algo sobre a geomorfologia do local. As típicas EarthCahes não contêm nenhum tipo de recipiente a cache em si é o acidente geológico do local, pode ser uma pedra, gruta, etc. Normalmente as páginas da Internet associadas ao download das coordenadas da cache são acompanhadas com notas educacionais sobre o processo geomorfológico em questão e para se realizar o log da sua descoberta é necessário responder a determinadas questões observando o local geológico, São representadas no mapa de Geocaching através do símbolo:



Estas são os 4 tipos de Caches mais comum a nível mundial, existindo contudo vários outros tipos de cache de carácter bastante específico e que exigem abordagens diferentes ao jogo do Geocaching. Muitas delas foram criadas à pouco tempo sendo por isso raras e algumas limitadas apenas aos EUA (local de onde surgiu o Geocaching). Contudo para os interessados podem ver a lista completa de todas as Geocaches oficiais existentes através deste link para o site de Geocaching.com:




Como Jogar?

Para se iniciar no mundo do Geocaching a primeira coisa a fazer antes de começar as vossas novas aventuras é registarem-se no site oficial do Geocaching ( http://www.geocaching.com/  ) . Criando o vosso perfil poderão então registar todas as caches que encontrarem, e através do site poderão fazer o download das coordenadas das caches que pretendem encontrar directamente para o vosso GPS.  Teoricamente poderia ser possível praticar Geocaching sem a utilização de um dispositivo GPS, localizando as coordenadas das caches num mapa militar, mas além de este método ser muito menos preciso e muito mais complicado de encontrar o local exacto no terreno, desvirtua todo o conceito do jogo. O Geocaching foi feito para ser praticado através de GPS e como tal requer um dispositivo GPS móvel. O mais comum e mais indicado para a prática assídua de Geocaching são os GPS de aventura, dispositivos do tamanho de um telemóvel resistentes ao choque e podendo ser inclusive à prova de água.






 Os mais recentes são bastante fiáveis a nível de precisão e permitem a utilizar de mapas no terreno para facilitar a navegação, contudo costumam ser um pouco caros, não indo abaixo dos 150 euros. Contudo, com o surgimento da era dos smartphones e telemóveis com GPS incorporados, já é possivel realizar Geocaching com o smartphone. Para tal é necessário instalar uma aplicação para o efeito, existindo várias possíveis de utilizar, todas elas tem em comum a vantagem de não ser necessário de fazer o download directo do site das coordenadas das caches. Em geral possuem elas próprias o mapa do Geocaching mundial disponível online, sendo necessário arquivar somente as caches para poderem ser encontradas sem ter que tar ligado à internet. Para dispositivos Android recomento a aplicação c:geo , que além de ser gratuita possui todas as funcionalidades da aplicação oficial da Geocaching.com e possui inclusive a possibilidade de registar o log das caches directamente para o site através da aplicação. Para quem tiver interessado em experimentar vai aqui um link para o download da aplicação:



Uma vez possuindo um dispositvo GPS móvel, o próximo passo será então de fazer o download das caches a encontrar. Para tal a melhor forma é de ir ao mapa mundial das caches.


A partir daí é possível ver todas as caches existentes no mundo, aceder às características de cada uma, ver quem as descobriu, dicas para a sua descoberta e por fim fazer o download das suas coordenadas.
Tendo já os pontos marcados no GPS estamos prontos então para ir para o terreno.

É sempre bom contudo reconhecer bem o local no mapa e ver as características das caches como a dificuldade que referem-se se são fáceis ou não de encontrar (mais ou menos camufladas no terreno) ou se são fáceis ou não de alcançar (em sítios mais ou menos acessíveis), ao tamanho ( que varia entre micro, pequeno, médio e grande) e às condições do local (paisagem protegida, parque sujeito a horários, estacionamento, entre outras informações úteis e relevantes).

Estes são os conhecimentos básicos e essenciais para a prática de Geocaching, mas para o próximo artigo irei abordar dicas mais aprofundadas sobre como encontrar as caches, planear uma aventura de geocaching e outras informações úteis. Estejam atentos!! 






quarta-feira, 27 de março de 2013

Orientação com cartas militares e GPS

Fundamental na prática das caminhadas é saber orientar-se, tanto no terreno através dos diversos pontos de referência como através de outros instrumentos de apoio como mapas, cartas topográficas ou militares e GPS. Nesse sentido um caminhante que faça um estudo prévio do percurso a realizar vai muito mais preparado para enfrentar os diversos obstáculos pelo caminho assim como reconhecer os diversos pontos de referencia, criando já um mapa mental do percurso a realizar.
 
Antes da era da internet o trabalho de reconhecimento do percurso era feito através de cartas topográficas ou militares. Estas cartas consistem em mapas georreferenciados (desenhados através das referências das coordenadas geográficas) com a representação do declive topográfico.
 




Estas cartas estão desenhadas à escala de 1/25000, ou seja 1cm na carta equivale a 25000 cm (ou 250m) na realidade e estão divididas consoante as suas coordenadas geográficas tanto referentes ao Datum de Lisboa (hayford-gauss) como ao Datum Europeu (U.T.M.). Estes datum são referentes a projecções cartográficas tanto a nível nacional como internacional, associadas a sistemas de medição de coordenadas geográficas.


Sistemas de coordenadas geográficas:


 As coordenadas geográficas são linhas imaginárias que dividem a Terra em dois eixos distintos (meridianos e paralelas). Os meridianos são linhas que correm no eixo de Norte para Sul, são contadas a partir do meridiano de Greenwich, que divide a Terra nos hemisférios Este e Oeste, e são usadas para medir a longitude.. As paralelas são linhas que correm no eixo de Este para Oeste, são contadas a partir da linha do equador, que divide a Terra nos hemisférios Norte e Sul, e são usadas para medir a latitude.


As medições são feitas através das unidades de graus (º), minutos (') e segundos (''), sendo que cada grau subdivide-se em 60 minutos, cada minuto em 60 segundos e por sua vez cada segundo pode se dividir decimalmente em fracções cada vez menores não específicas.
 
 Na medição da longitude a contagem inicia-se no grau 0, respectivo ao meridiano de Greenwich, e prossegue até ao grau 180, tendo a designação de E (Este) ou W (weast/oeste) caso esteja localizado no hemisfério Este ou Oeste respectivamente. A distância entre cada grau de longitude equivale a 111,133km,  a distância entre cada minuto equivale a 1852,22m e a distância entre cada segundo equivale a cerca 30,87m.
 
Na medição da latitude a contagem inicia-se no grau 0, respectivo à linha do Equador, e prossegue até ao grau 90 respectivo aos pólos norte e sul, tendo a designação de N (Norte) ou S (Sul) caso esteja localizado no hemisfério Norte ou Sul respectivamente. No paralelo 23,4378º S passa a linha de Capricórnio, e no paralelo 23,4378º N passa a linha de Câncer. Estas duas linhas servem para dividir a zona equatorial do globo, relativas às zonas tropicais.
 
Um exemplo de uma coordenada geográfica seria a seguinte: No caso das coordenadas do centro de Lisboa estas são 38º42'55.868'' N   9º8'41.082'' W
 
As coordenadas também pode ser apresentadas em forma decimal, tomando a conotação de lat ou long para a latitude e longitude respectivamente, sendo que nesta forma em vez de serem acompanhados pela sigla do hemisfério respectivo, variam entre valores positivos e negativos. No caso da latitude esta assume valores positivos para o Norte e valores negativos para o Sul. No caso da longitude esta assume valores positivos para Este e valores negativos para Oeste.
 
As mesmas coordenadas apresentadas desta ultima forma teriam o seguinte aspecto:
38º42'55.868'' lat  -9º8'41.082'' long
 
As coordenadas por fim também podem ser apresentadas apenas na forma decimal dos graus de forma a serem mais simplificadas:
38.715519º lat  -9.144745º long
 
Usando este método de contagem de coordenadas, existem dois sistemas universais com pequenas variações, o sistema Universal Transversa de Mercator (UTM) e o Universal Polar Stereographic (UPS), sendo este último apenas utilizado em latitudes maiores devido a deformações em latitudes menores. Alguns dispositivos GPS (Global Positioning System) possuem inclusive a opção de alternar entre sistemas UTM e UPS, contudo o sistema UTM é o mais utilizado internacionalmente e preferencial para escalas maiores.
 
Além dos sistemas globais de coordenadas geográficas, cada país tem o seu próprio Datum de coordenadas, ou seja, o seu próprio sistema de medição de coordenadas de forma a conseguirem fornecer informação mais detalhada e precisa, sobretudo em mapas de escalas grandes (grande ampliação).
 
As carta portuguesas estão georeferenciadas através de dois datums (sistemas de referenciação de coordenadas geográficas) um a nível Europeu e um a nível nacional (Hayford-Gauss Lisboa).
 
Como ler uma carta militar:
 
Como já referido anteriormente as cartas militares são cartas topográficas georreferenciadas. Como tal são bastante úteis tanto para ler informações do terreno como altitude, perfis topográficos, acidentes de terreno (montanhas, rios, falésias, etc), e localizar os mesmos num espaço geográfico comum. Para tal as cartas estão divididas em quadrículas azuis e castanhas e inseridas sobre uma régua para a medição de coordenadas geográficas. As quadrículas servem para dividir o mapa em áreas de 1km2, sendo que as quadrículas castanhas são referentes ao datum de Lisboa e as azuis ao datum Europeu. Dessa forma é fácil calcular a distância entre dois pontos sem o uso de uma régua pois sabemos que cada lado da quadrícula equivale a 1km As réguas sobre as quais o mapa está enquadrado, servem como já referido para medir as coordenadas geográficas. Existem igualmente duas réguas, uma relevante ao datum de Lisboa e outra ao datum Europeu.
 
 
 
 
No caso das cartas militares o declive é representado através de linhas castanhas que unem pontos com a mesma altitude, espaçadas entre si em 10 metros de altitude entre cada linha. Dessa forma é possível ver o desnível do terreno através do espaçamento entre as linhas, quanto mais próximas as linhas mais inclinada é a região, ao invés de linhas muito espaçadas que representam uma região mais plana.
No que toca a informações do terreno, as manchas verdes representam zonas densamente florestadas, símbolos de árvores ou arbustos representam zonas menos florestadas ou zonas de mato, o símbolo de pedras representa terreno rochoso, linhas azuis representam cursos de água e manchas azuis lagos ou albufeiras. Existem ainda informações sobre acidente naturais mais específicos como vaus, zonas pantanosas, falésias, etc, cujos símbolos encontram-se mais bem detalhados na legenda.
O mapa apresenta ainda informações relevante a estradas, estradões de terra batida e caminhos de pé posto. Contudo, devido à pequena escala do mapa (pouco pormenor) e à data a que os mapas foram feitos, alguns pequenos caminhos podem não estar actualizados ou não estarem sequer identificados. Contudo a simbologia dos caminhos é a seguinte: Estradas de alcatrão são representadas por traços largos preenchidos a vermelho, estradas de terra batida com acesso a automóveis são representadas por traços largos não preenchidos, carreteiros são representados por traços contínuos pretos e por fim caminhos de pé posto por tracejados a preto.
 Tudo o que são construções humanas estão representadas por símbolos pretos.
 
 
 
Com todas estas informações as cartas militares são bastante úteis tanto para planear actividades de aventura como para serem usadas no terreno para orientação. Apesar do GPS por vezes oferecer informações mais precisas e ser de mais fácil utilização, este está limitado a alcance de satélites e a energia eléctrica. Para obter cartas militares estas tem de ser compradas ao Instituto Geográfico do Exército através do site http://www.igeoe.pt/ . O site também fornece informações bastante úteis a nível da cartografia nacional.
 
 
Como utilizar os azimutes:
 
Os azimutes são uma forma simples e precisa de indicar uma direcção. Baseia-se no principio da graduação dos ângulos.
 
 
Seguindo esse principio o Norte encontra-se aos 0º, o Este aos 90º, Sul aos 180º e Oeste aos 270º. Através de um transferidor posicionado no mapa alinhado com o norte pode-se calcular facilmente a direcção exacta dos restantes pontos cardeais. Algumas bússolas vem já com uma régua e transferidor incorporados exactamente para esta função, conseguindo calcular as direcções mesmo sem um mapa.


 Orientação com o mapa:

Ao saber ler um mapa segue-se então ao próximo passo que é conseguir orientar-se com ele no terreno. Por vezes as cartas militares são tão detalhados em termos de simbologia que poderão parecer confusos e difíceis de perceber o terreno real. A técnica de Orientação consiste em exactamente isso, em consegue ler o mapa, descobrir a nossa posição no mesmo e descobrir os caminhos para onde queremos alcançar. Para conseguir orientar-se num mapa com sucesso é fundamental o uso de uma bússola. O mapa pouco ou nada nos serve se o o interpretarmos na direcção errada, ou seja, em geral os mapas são desenhados orientados para Norte, por isso se estivermos a ler o mapa virados para Sul ou qualquer outro ponto cardeal, vamos ter uma perspectiva completamente diferente do mesmo.

Nesse sentido antes de se iniciar uma leitura do mapa é necessário orientá-lo para a posição que ele indica. Tudo o que é considerado mapa ou carta de orientação têm obrigatoriamente de apresentar duas coisas, uma escala e a direcção do Norte. Contudo, em caso de uso de mapas militares sem legenda ou cujas informações adicionais não estão legíveis ou presentes, todos estes possuem as mesmas carecterísticas, como a escala de 1/25000 e a orientação para Norte. Seguindo a orientação do texto no mapa (nome das vilas e aldeias) sabe-se a orientação do Norte. Para leitura do mapa devemos entao pousar a bússola sobre o mesmo, alinhado com as linhas das quadrículas e virarmo-nos para a direcção que o mapa está orientado (no caso das cartas militares Norte). Nesta posição é mais fácil e preciso identificar os caminhos no espaço real.

Á medida que vamos percorrendo os caminhos devemos ter sempre em consideração os desenhos dos mesmos no terreno e confirmar com os desenhos destes no mapa, ex: fiz uma curva à esquerda, no mapa também faz uma curva à esquerda. Isto serve para garantirmos não só que estamos no caminho certo mas também para sabermos a nossa posição exacta no mapa. É muito importante que sempre que nos deslocamos mantemos o mapa na mesma posição fixa, uma boa técnica é mantê-lo aberto na folha que nos interessa e encostado ao peito. Desta forma nunca perdemos a direcção do Norte e o mapa acaba por funcionar também como uma bússola.

Cartas de Orientação:

As cartas militares são bastante úteis a nível de informação no terreno, contudo para uma orientação mais precisa pecam pela sua escala relativamente pequena (quanto menor a escala mais área abrange mas exibe menos pormenor, quanto maior a escala menos área abrange mas exibe mais pormenor). Neste sentido surgem as cartas de orientação, que possuem simbologia bastante semelhante às cartas militares (topográficas e georreferenciadas) a uma escala maior e com mais pormenor. A escala normalmente varia desde 1/5000 até mesmo 1/2000, e a equidistância das curvas de nível são de 5m ao invés de 10m nas cartas militares.



Estas cartas foram feitas contudo para um objectivo específico, para a prática de orientação desportiva. Este desporto consiste numa corrida em corta mato sem um percurso definido, sendo que contudo é obrigatório encontrar diversos pontos (estações/balizas) assinalados na carta de orientação específica para a prova. Nesse sentido ganha quem conseguir encontrar todos os pontos mais rápido. Como comprovativo que o participante encontrou os pontos, estes possuem um cartão de marcação com o número de cada estação e com um espaço para ele marcar com o agrafador especifico de cada baliza. No terreno estão então espalhados as diversas "balizas" com o seu agrafador com um padrão de marcação diferente. Normalmente estas balizas são de cor laranja para serem vistas facilmente sobre a vegetação.



As cartas de orientação são feitas pela Federação Portuguesa de Orientação (FPO) e as corridas são organizadas pela mesma e pelo Clube Português de Orientação e Corrida (CPOC).

Para mais informações sobre a modalidade e cartas de Orientação recomendo consultarem os seus sites respectivos: www.cpoc.pt      www.fpo.pt  



Orientação com GPS:

Apesar da orientação com cartas militares e de orientação ser bastante útil e relativamente precisa, a orientação com GPS demonstra ser muito mais fiável e fácil de utilizar. Um sistema que antigamente era considerado caro ou de difícil acesso (uso exclusivo militar) agora tornou-se bastante acessível e os seus avanços tecnológicos permitem obter informações de terreno de forma muito mais eficaz.
O sistema GPS (Global Positioning System) surge da ideia de posicionamento através de uma rede de satélites. Utilizando o sistema de triangulação (3 satélites no mínimo para determinar a latitude e longitude, e 4 para a altitude) este consegue determinar a nossa posição no globo terrestre.
 
O funcionamento de um GPS consiste em mostrar a nossa localização ao vivo sobre um mapa digital ou mesmo apenas indicando as nossas coordenadas em tempo real. Consoante o tipo de GPS é possível descarregar diferentes tipos de mapas para facilitar os diversos usos que podemos atribuir ao equipamento.
 
Existem diversos tipos de GPS, sendo os mais comuns actualmente os GPS para os carros e os Tom Toms. Estes dispõem de mapas actualizados das estradas e ajudam na navegação na rede rodoviária. Contudo para uso no terreno o ideal são GPS de aventura. A gama mais comum nesta vertente são os da marca Garmin. Esta foi a marca pioneira nos GPS de aventura apresentando modelos de equipamento bastante sofisticados e com várias funcionalidades. Em Lisboa o seu distribuidor oficial é a empresa Ciclonatur, organizadora de eventos de BTT a nível nacional.
 
 
 
Os GPS de aventura tem a particularidade de serem mais resistentes, mais pequenos, muitas vezes impermeáveis podendo ser inclusive à prova de água, e dispõem de mapas mais detalhados ao estilo das cartas militares. Normalmente funcionam a pilhas recarregáveis. É de ter em atenção que apesar das facilidades que um GPS oferece, este não deixa de ser um aparelho electrónico e como tal está dependente de energia eléctrica e sujeito a avarias. Nesse sentido é prudente não depender somente num GPS para orientação mas ter também um mapa e uma bússola disponíveis.
 
 
 
Os equipamentos mais antigos necessitavam de um tempo para captação de satélites ao ligar o aparelho antes deste poder ser utilizado. Apenas depois do GPS ter captado no mínimo 3 satélites este podia iniciar a sua actividade. Contudo os aparelhos mais modernos possuem uma rede de alcance maior, logo o acesso aos satélites é feito muito mais rápido. Estes últimos apresentam igualmente vantagens por conseguirem apanhar mais facilmente os sinais de satélite mesmo em zonas mais remotas ou de vegetação densa.
 
 
 
Estando o GPS ligado este normalmente fornece os seguintes funcionamentos:
 
-Indicação da latitude, longitude e altitude
-Possibilidade de marcação de pontos e waypoints
-Possibilidade de marcação de percursos e rotas
 
Estas são as funcionalidades essenciais que um equipamento de GPS possui. Modelos mais avançados podem possuir outras funcionalidades úteis mas não cruciais para um uso no âmbito da orientação.
 Através destas funcionalidades é fácil criar um registo do percurso que efectuamos ou orientarmo-nos no percurso a efectuar.  Marcando pontos ou waypoints funcionam como "deixarmos migalhas no chão" para sabermos o nosso caminho de volta, ou simplesmente para marcarmos uum local específico para o podermos visitar novamente sem dificuldades. A marcação de percursos funciona com o propósito de registar o percurso que efectuámos e possibilita inclusive que o possamos repetir. Já as rotas são feitas através da junção de vários pontos ou waypoints em linha recta, úteis para juntar cruzamentos ou desvios que efectuamos no caminho.

Em baixo segue um vídeo sobre como utilizar as diversas funcionalidades de um GPS, e como estas podem ser úteis em diversas situações. (Nota: o vídeo é em Inglês)
 
 
 
 
  Hoje em dia com o surgimento dos smartphones já é possível ter todas as funcionalidades do GPS no telemóvel. Vindo já incorporados com um GPS, o mesmo pode ser utilizado para marcar percursos, pontos ou determinar as nossas coordenadas. Contudo o telemóvel por si só não dispõe dessas funcionalidades excepto através de aplicações próprias para o efeito. Tanto o sistema android como iphone possuem uma gama elevada de aplicações, no caso dos androids a aplicação GPS essentials:

 https://play.google.com/store/apps/details?id=com.mictale.gpsessentials&feature=search_result#?t=W251bGwsMSwxLDEsImNvbS5taWN0YWxlLmdwc2Vzc2VudGlhbHMiXQ..
 
 possui todas as funcionalidades de um GPS de aventura normal e inclusive outras mais. Outra aplicação bastante útil é a Sportstracker:

 https://play.google.com/store/apps/details?id=com.stt.android&feature=search_result#?t=W251bGwsMSwxLDEsImNvbS5zdHQuYW5kcm9pZCJd

que permite não só gravar os percursos efectuados como mostra-se bastante útil a nível de desporto, registando a velocidade de deslocação e estimando as calorias gastas consoante a modalidade praticada.

Com estas noções de orientação já é possível realizar caminhadas ou outras actividades de aventura em segurança em terrenos desconhecidos. Conhecer o terreno e saber orientar-se elimina vários riscos sujeitos as actividades de outdoor e ajuda numa preparação eficaz para as actividades.

No próximo artigo irei abordar mais a orientação por GPS em particular na actividade de Geocaching, indicando como se pratica a actividade e dando dicas para a mesma. Irei também falar sobre o programa do Google Earth e como usar outros Sistemas de Informação Geográfica semelhantes. Ate lá boas aventuras!